segunda-feira, 16 de maio de 2011

Falando de vacas.

Alô, alô, marcianos! Tudo bem por aí? Depois de alguns tempestuosos dias – preguiçosos para falar a verdade – volto a tentar velikar vossas cabecinhas. E a velikagem de hoje trata-se de um assunto que a ele deveria ser dado muito mais valor e importância: o vegetarianismo.

Meu objetivo aqui não se baseia em convencê-los a comer ou deixar de comer carne, mas sim de pensar no que poderia ou não ser feito de acordo com seu julgamento. Acredito que todos aqui são cientes de que toneladas e mais toneladas de carne são consumidas e estragadas todos os dias. E se você nunca parou pra pensar, meu caro, o seu delicioso almoço de domingo que a vovó fez veio de uma bela vaquinha que nasceu destinada a crescer o mais rápido possível

e ser abatida de modo cruel. Talvez eu tenha sido um tanto precipitado, mas foi a forma mais simples que encontrei para resumir a vida das vaquinhas.

Falando de outra maneira a mesma coisa, temos o seguinte: o sistema produtivo de carnes em geral está cada vez mais sofisticado. E se você não faltou às aulas de geografia, sabe que a biotecnologia é o futuro mais presente nesse setor. E isso proporciona ao comércio vaquinhas com crescimento cada vez mais veloz, e claro, com um sabor melhor. Isso pode parecer ótimo em tempos onde a praticidade e velocidade são quase tudo. Mas algumas implicações envolvidas no processo e no produto devem ser mencionadas.

Primeiramente, temos os aspectos ecológicos e ambientais. Ecológico a partir do momento em que animais são praticamente “cultivados” com todos os tipos de drogas e tratamentos, processo este onde nos vemos com o direito de assim o fazer sem ao menos pensar que se tratam de vidas. E falando de maneira bem resumida sobre os ambientais, temos a conhecida questão do imenso desmatamento necessário para esse tipo de produção. E isso não só se aplica em queimar árvores, mas sim todas as complicações causadas por esse ato.

Além de tudo isso, ainda temos o fato de vivermos com um adesivo grudado no cérebro que nos faz comer muita carne, sem falar que o sistema é desigual, já que muitas famílias nem têm acesso a esses bens de consumo.

De fato, existem muitos outros fatores que poderiam ser discutidos contra o consumo de carne, mas que prolongariam demais esse texto. Logo me deterei ao outro lado da moeda. Pois é, se é tão ruim, o papo é todo mundo partir pros vegetais, não? Não, as coisas não são tão simples assim.

Hoje, o que se tem como principal substituto para o consumo de carne é a soja. Mas muitos "politicamente corretos que tentam proteger a todo custo as

adoráveis vacas” se enganam em parte ao dizer que essa substituição traz muitos benefícios ambientais e à saúde. Imagine que todos nós, terráqueos, virássemos vegetarianos. Tudo estaria resolvido? Não sou nenhum cientista, e nem fiz pesquisas à respeito, mas meu palpite é não e já explico o porquê. É só olhar para o Brasil. Somos uma grande potência na produção de soja. E o que realmente acontece por aqui? Os sojeiros e ambientalistas se batem de frente por pesquisas e reclamações por parte dos segundos, onde esses nos mostram que a produção é tanto quanto ou até mais “poluída” que a dos bovinos. O que faz muito sentido, já que milhares de hectares são destruídos e preparados com todo o tipo de química e parafernália para produzir a plantinha.

Não apenas isso, o uso excessivo de agrotóxicos é prejudicial à saúde como muitas pesquisas mostram apesar de não termos muita precisão pelo fato de ser um assunto muito recente. E claro, hoje vemos o consumo de carne como algo tão rotineiro e necessário que é muito difícil se desapegar daquele bife suculento.

Mas e então? Solução que é bom nada, não é, Seu Lucas? Olha, solução real eu não tenho, mas uma simples medida possivelmente melhoraria muito a história. Eu tenho uma visão próxima a algumas correntes filosóficas antigas que está pautada no equilíbrio entre as coisas. E da mesma forma, acredito que seria uma boa solução para essa discussão. O problema não está em comer carne ou não. Até porque o ser humano necessita de nutrientes aí presentes, e, para a maioria, é muito prazeroso comer um bom pedaço de filé. Entretanto, o verdadeiro problema se encontra no exagero quanto ao consumo de ambas as partes.

É ignorância pautar a alimentação em um saboroso Bic Mac, mas talvez seja tanto quanto ser radical a ponto de driblar totalmente a cadeia alimentar e não comer nadinha de carne. Então, querido leitor, meu conselho – conselho, não significa que é o certo e que você deve fazer isso – é: sim, coma carne. Porém, na medida certa. Se assim funcionasse para todos, a indústria bovina não mais necessitaria produzir o máximo em menos tempo, e provavelmente produziria apenas o indispensável, o que poderia acabar com os maus tratos às vaquinhas – já notou como elas são lindas? –, reduziria o desmatamento e tudo o mais.

Melhor: se possível, quando for adulto talvez, tente não ser aquele cidadão alienado e guarde um tempo para cuidar da horta no quintal. Você só sai ganhando... eu acho.


Beijo nos seus corações, até mais.

Um comentário:

  1. Ô seu Luquinhas, muito boa sua dissertação. Faltaram só alguns pontos, como por exemplo, as pessoas que não comem animais por valores, como minha irmã Marina. Outra coisa que faltou, foi falar dos outros tipos de animais, não só das vacas. Mas ficou interessante o ponto destacado, das vacas em si.
    Mais um ponto que faltou, que faz parte da minha posição sobre o assunto, é a de que animais diferem da cabeça de um ser humano. Um animal não tem os mesmos valores que nós, como mágoa, ressentimento, e outros. Acredito que eles sintam os estímulos externos mecanicamente. Prazer, é prazer. Dor, é dor. Nós, humanos, quando sentimos prazer ou dor, juntamos a esse material um grande espectro de emoções humanas exclusivas nossas.
    Então, observando por essa parte "emocional" da coisa, sinto que não há uma necessidade de sentir pena das vacas, até porque o processo de abatimento é um arpão direto na cabeça, ela nem sente nada.
    Um beijo, e parabéns pelo post, digno de Veliko.

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