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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Amores que Matam Pei Pei Pei

Quantas vezes você estava andando por aí, começou a tocar aquele bregão e passou na sua cabeça aquele pensamento "Mas que porcaria!"? A não ser que você goste de brega (mais especificamente o tecnobrega, que é a modalidade mais famosa atualmente), o ódio é geral quando está rolando essas músicas do povão na rua. Alguns dizem que é um gênero pobre musicalmente, outros reclamam das letras. Tem gente que diz até que deveria ser abolido das rádios! Vamos com calma, amigos. Deixa eu tentar explicar o que acho do brega (e da música, em geral).
Não vou tentar explicar como funciona a cultura do brega, até porque eu cresci longe do gênero (apesar de, como todos nós, já ter ouvido bastante por aí). Mas não foi porque fui criado ouvindo outras músicas que eu vou desmoralizar ou desmerecer quem foi criado ouvindo o brega, e gosta tanto de Príncipe Negro quanto eu gosto de Pink Floyd. A diferença entre ambos os artistas é simples: cultural. Para tal cultura, o Super Pop faz todo o sentido, enquanto, veja bem, Pink Floyd nem da minha cultura é, mas eu gosto bastante. Quem é que é mais lógico, o paraense que tem orgulho de ouvir música paraense ou o paraense que ouve rock inglês? 
Não estou dizendo que devemos "pagar pau" pra tudo que é nacional ou paraense, mas só estou dizendo que há uma cultura e que existem pessoas cultivando ela, queira você ou não. Brega une as pessoas, brega tem um poder social enorme. A diversão de final de semana de boa parte da população "papaxibé" é ouvir um bom tecnobrega curtindo com a galera. Não interessa se a música é toda feita no computador, ou se as letras são toscas, se tem gente que gosta, então é música. Respeite os outros, largue de ser etnocentrista. 
Pô, os Rolling Stones cantam "Start me up, start me up, you make dead man cum", e ainda tem gente que reclama do tecnobrega falar sobre os "Amores que doem, amores que matam". Abram a cabeça, existem milhares, milhões de culturas no mundo e cada uma tem seus adeptos. Qualidade musical existe sim, mas não é isso que define "qual é melhor". A melhor é aquela que você gosta, de qualquer cultura que seja.
Viva o brega

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Elliott Smith


Bom, devo dizer que eu sou um pouco suspeita para falar do Elliott Smith. Conheci suas músicas ano passado e, acreditem, até hoje não passo um dia sem ouvi-lo. Para os que se chegam mais aos sad songs é uma ótima pedida. Mas vamos lá.

O Elliott é um artista completo: Sua voz é boa e seus arranjos são bons, mas o que me tocou de verdade foram as letras de suas músicas. É impossível deixar de fora a vida do rapaz quando se fala nesse aspecto das suas composições, pois, só para vocês saberem, ele se suicidou em 2003 com duas facadas no peito (isso mesmo, duas!). O seu abuso de álcool, drogas e sua mente claramente confusa e perturbada explicam tal ato. E claro, de mentes como a dele, nós sabemos, é suposto que saiam as maravilhas que tanto apreciamos.

Quanto á como soa: A maioria de suas músicas soa como folk, com uma voz melódica e um violão suave ao fundo. Exemplos disso são seu primeiro e terceiro CD, Roman Candle e Either/or, meus preferidos, por sinal. Do primeiro, dêem prioridade para Last Call e Kiwi Maddog 20/20 (essa última é instrumental. Fechem os olhos e viagem). Do terceiro, Either/or, ouçam Between the Bars, Alameda e Angeles.

E como não poderia deixar de ser, existem CDs que fogem um pouco do “voz e violão” como o XO. Experimental, mas ainda com aquela pitada melancólica que circunda todas as músicas do Elliott.

E só á caráter informativo, ele ficou relativamente conhecido quando fez a trilha sonora do filme O Gênio Indomável de Gus Van Sant, com a música Miss Misery, que concorreu ao oscar como melhor canção de 1997.

Por fim, infelizmente, não tenho propriedade para falar sobre técnica musical, visto que a única coisa que sei tocar no violão é a intro de Come As You Are. Mesmo que, pelo que se sabe, ele fosse competente além de no violão, também no piano, clarinete, baixo, gaita e bateria, acredito que ouvir Elliott Smith seja uma experiência muito mais sensorial, que transcende essa história toda de análise técnica. Existem muitos artistas por aí fazendo ou que fizeram um som como o dele, mas há algo em suas músicas que o diferencia dos demais. Ouçam, vocês não vão se arrepender.

Abaixo os links. Se divirtam, crianças.

Roman Candle
Either/or
XO

domingo, 15 de maio de 2011

Beirut "The Flying Club Cup"

Antes de qualquer coisa, queria pedir desculpas pela esfriada que o Veliko deu nesse mês de Maio. Apesar do nosso desleixo quanto ao blog, deixo clara a minha vontade de fazer o Veliko algum dia em um blog importante e bem conceituado, e que não fecharei ele tão cedo. Agora,vamos ao post de fato. 
Dessa vez farei uma resenha do álbum "The Flying Club Cup", da banda Beirut, que fez um relativo sucesso graças a série Capitú, com a música "Elephant Gun". Para a minha frustração, ao baixar o álbum, essa música não constava no disco (hehe). Apesar disso, foi uma boa experiência conhecer essa banda, que não é nada ruim. Beirut mistura um som meio folk, meio indie com um vocal muito singular do Zach Condon, e uma pitadinha assim de uns ritmos estranhos do Leste Europeu, lugar onde o próprio foi pesquisar sonoridades para sua banda.
O Beirut faz um som legal e tudo, bem particular e acessível ao mesmo tempo, mas isso até a quinta música, porque depois a coisa fica enjoativa demais e a banda não sabe sair da mesmice da qual ela criou. Não é um grupo versátil, e não conseguem fazer um álbum bem amarrado (pelo menos "The Flying Club Cup" não é) e cansam o ouvinte rapidamente. Os vocais gemidos, os instrumentos como acordeão, tuba e ukelele e a percussão simples são bem interessantes até você descobrir que os caras do Beirut não conseguem sair disso em quarenta minutos de música. 
Mesmo assim, vale a pena ouvir a banda, pois é daquelas coisas recentes que não caiem na fórmula de hits indies de plástico e sem graça. Talvez não sejam um grupo muito resolvido ainda, mas estão indo por um bom caminho, atravessando por todos os instrumentos malucos que você pode acreditar e uma harmonia vocal interessante. E serve também pra quem achava (como eu) que Beirut não passava de Elephant Gun. Se bem que, todas as músicas são parecidas com Elephant Gun hehe

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pink Floyd "Dark Side Of The Moon"

Um grito desesperado, pronto para sair, diz Waters sobre a obra-prima do Pink Floyd, "Dark Side Of The Moon". De fato, é um grito e tanto. Dentre diversos outros gritos que foram lançados ao ar na época, por que, esse, em específico, se tornou objeto de obsessão por milhões de pessoas mundo afora? Talvez por ter um single de sucesso jogado no meio do álbum, que ecoa até hoje nas rádios? Uma capa misteriosa e instigante? Um solo vocal feminino extasiante? Tudo isso e um pouco mais.

Não vou tentar resenhá-lo, não. Dark Side está um patamar acima de qualquer crítica. Está no hall da eternidade, o tipo de coisa que a humanidade guardará para sempre, como alguma obra do Shakeaspare, Kafka, Orwell, ou algo que o valha. É de uma sincronia assustadora com a vida moderna, com você. Impossível não ouvir os versos escritos pelo baixista Roger Waters e não se identificar. Confesso que sem esse álbum não me interessaria por metade do que me interesso hoje, como socialismo, filosofia e tudo mais. Dark Side é um impulso, só precisa ser levado a sério e assimilado com bons ouvidos.

Liricismo simples, de significado absurdo, combinado a música popular, levada ao extremo da sofisticação. Elementos de jazz, erudito, rock'n'roll, blues, está tudo lá. Não é sobre preencher, é sobre deixar o vazio. O som tem pausas, te deixa respirar, volta, te esmaga, põe um saxofone ali, backing vocals femininos aqui. Eu poderia ficar linhas, parágrafos, posts e posts falando sobre como a guitarra do Gilmour é simples, entra e sai suavemente, sobre a progressão de acordes de Great Gig in The Sky, do solo de saxofone de Us And Them.

Mas vamos fazer assim, ouça. Se você já conhece, ouça de novo, se não: ouça, e o quanto antes. Mas com fones de ouvido, no mínimo. Não preciso falar mais nada por aqui, apenas leia esse blog: ele respira e transpira Dark Side Of The Moon. Se querem saber mesmo, e eu posso parecer um louco ou algo do tipo, mas minha vida é regada a Dark Side of the Moon. O que penso, o que sinto, nasceu ali, naquele "CD do prisma". O resto, veio com o tempo, e ainda vem mais, com certeza. Passaram-se trinta e oito anos, mas eu até podia te jurar que foi ontem.

terça-feira, 22 de março de 2011

The Who "Who's Next"

The Who, banda símbolo dos anos sessenta e preferidinha dos hippies e pseudohippies ao lado de Jimi Hendrix, Beatles, Grateful Dead, etc. Infelizmente, (pelo menos hoje em dia) os Who são desprezados se comparados as outras bandas de sua época, como se fosse uma banda de segunda linha, e não no mesmo hall de fama que Stones, Beatles ou Led, por exemplo. Acho que esse desprezo não pode ser mais equivovado! E o The Who mostra isso com excelência na sua obra-prima "Who's Next".

Obra-prima porque, se pudéssemos definir o conceito de uma "magnum opus" diríamos que seja uma compilação de hits de sucesso. E das nove músicas do disco, uma ou outra é mais fraquinha, o resto é puro rock'n'roll que vai grudar na sua cabeça por um tempo. O melhor de tudo é que a banda não se contenta em fazer um ótimo hard rock, e faz uma mistura com o som progressivo, colocando elementos na medida, como gaita, sintetizadores, etc. Diria que o som do The Who é o rock mais abrangente já feito por aí.

Não é pra menos, afinal, a banda é formada por quatro músicos de grosso calibre (hehe). Keith Moon era um bateirista muito louco, referência a metade dos bateiristas de hoje. John Entwistle é tido como um dos melhores baixistas da história, influenciando toda a vertente do rock no quesito dos graves. Pete Townshend, nem precisa dizer: foi o cara que inventou aquele negócio de misturar boliche com guitarra. E Roger Daltrey, por fim, com sua voz potente e cachos dourados, formam um dos melhores quartetos do rock, tanto em técnica quanto em originalidade.

Um ótimo álbum para começar a ouvir "esse tal de Roque Enrow", Who's Next é uma viagem só, abrindo com o tecladinho doido de "Baba O'Riley". Dentre outras, tem a linda "Behind Blue Eyes", que todo mundo conhece, e "Won't Get Fooled Again", aquela da abertura do CSI (haha). Não sei como alguém ouve esse álbum e vem falar que The Who não está entre os grandes do rock inglês. Faça-me o favor! Falou em The Who, falou em rock de primeira!

Rolling Stones "Exile On Main Street"

O que acontece quando uma das maiores bandas de rock'n'roll de todos os tempos é exilada da Inglaterra e se tranca numa mansão no interior da França, com suas fichas criminais sujas e devendo uma grana? Bom, o jeito é compor algumas canções de blues no porão e ver no que dá. E assim nasceu a obra-prima dos Rolling Stones, "Exile On Main Street".
Este álbum duplo tem um som mais "caseiro", a mixagem dos instrumentos é de cara meio estranha, parece mais ter sido gravado nos anos cinquenta. Por exemplo, repare que a voz de Mick Jagger fica apagada ao lado do som todo, o que dá um toque especial na sonoridade dos Stones. As músicas gravadas na França (em Nellcôte) são as melhores: têm um ar melancólico de um blues regado a álcool e fumo, com gaita, piano e tudo mais. Ouça "Sweet Virginia" e "Loving Cup" para saber do que estou falando.
E é justamente por todas as cagadas em que os Stones ficaram marcados nessa época, é que foi feito a melhor coisa que as pedras que rolam já conceberam no mundo do rock'n'roll. Tudo o que a banda representa, tudo o que a banda criou com o passar do tempo, o estilo de vida rockstar; está tudo aí, nos dois discos de Exile On Main Street. Um ode ao blues e ao rock de verdade (sem querer desmerecer os outros rocks, só quero dizer que esse é o rock mais puro), parado, ali, em 1972, como uma pedra que nunca foi lapidada.
Pra quem quer sacar esse rock de raíz, vale a pena comprar a edição remasterizada (do ano passado, se não me engano) na Saraiva ou algum lugar parecido. E se querem saber mesmo, esse é o único álbum que realmente vale a pena dos Stones. O resto, é resto. Mas Exile ficará pra sempre no nirvana do rock. Pena que depois disso a banda ficou lá, parada, tanto que hoje vive de shows com repertório antigo e relançamentos de discos.

quarta-feira, 16 de março de 2011

The Strokes "Angles"

Após cinco anos de espera, vaza a nós (com muito alarde) o tão esperado novo álbum dos Strokes. Já expliquei o som da banda no post anterior, portanto não vou me alongar explicando do que se trata essa que é uma das maiores bandas da atualidade. Apenas cace um link na internet e ouça com carinho o "Angles". Muita tensão nessa hora: a primeira faixa não pode decepcionar. Mas quando se ouve um ritmo latino, com uma forte pitada de breguice e cafonice, vem aquela dúvida: será que os caras piraram de vez? Mais ou menos.
"Machu Picchu", a música de abertura do disco é demasiada constragedora. Que tom de voz é esse que Casablancas usa? Que efeitos malucos são esses nas guitarras? É, de fato, uma canção curiosa. Mas quando a magia dos Strokes começa a surgir, quando aquele refrão grudento estoura nos seus ouvidos e aquela barulheira moderna começa a fazer sentido na sua cabeça, a coisa floresce. Pode-se dizer que o som da banda está bem mais "colorido", bem mais feliz, dançante. "Under Cover Of Darkness" é mais interessante, com um refrão mais grudento ainda, um Casablancas mais gritante e um trecho psicodélico no meio de toda a indiezera.
Agora não há mais dúvidas: é só manter o ritmo que o álbum sai com êxito na sua missão de satisfazer os fãs desconsolados. "Two Kinds Of Happiness" e "Taken For A Fool" comprovam isso, sendo bonitas canções levadas por poesia obscura e rock de garagem clássico, sem muitas frescuras. Esquisita mesmo é "You're So Right", de autoria do baixista Nikolai Fraiture: uma espécie de música eletrônica, experimental, psicodélica, mas que me lembrou muito o Radiohead, e achei meio fraca a faixa se comparada ao que eles quiseram fazer. O solo de guitarra é tímido, e a música logo enjoa, sendo de fato um ponto fraco no álbum.
Indo à outra metade da "bolacha" (aliás, sabiam que o disco será lançado em vinil?), parece que os Estrocas se desentenderam, criando uma confusão sofisticada demais para minha cabeça (pelo menos). "Games" abusa de sintetizadores, sem sal. Já "Call Me Back" é uma bossa nova que ficou muito simpática, achei que os vocais de Julian combinaram bastante com o estilo. "Gratisfaction" e "Metabolism", achei-as de mal gosto peculiar. Rock moderninho, melancólico, repetitivo e do tipo que estamos cansados de ver por aí.
Então chegamos ao fim do curto álbum (apenas 34 minutos). "Life Is Simple In The Moonlight" é tudo o que Strokes representa, toda a sonoridade que você já está cansado (ou não) de ouvir. Sem experimentações, sem viagens psicodélicas nem nada, apenas uma bela canção de Casablancas, para mostrar ao mundo que os Strokes ainda estão vivos, fazendo música boa e inspirando muitos corações solitários (hehe) por aí.

terça-feira, 15 de março de 2011

The Strokes

São poucas as bandas atuais que fazem um som condizente com o que já foi feito nesse planeta, e fogem do clichê atual de batida fuleira e sintetizadores (ou quase) e letras que falam sobre jogar as mãos no ar. Mais raro ainda são bandas que ditam clichês, criando toda uma vertente do rock e tirando-o do marasmo que os anos noventa deixou para nós. Sendo assim, nesse mês importante para a banda, faço um post retomando a carreira desses caras que fizeram minha cabeça há uns anos: The Strokes, os reis do indie (hehe).
Começaram com alarde mostrando um som diferente, um rock de garagem interessante com vocais inspirados (e inspiradores) de Julian Casablancas, um frontman digno de Lou Reed ou Jim Morrison: um rapaz elegante com uma voz fraca, mas cheia de feeling. Em 2000, sai o seu primeiro álbum, Is This It, considerado por muitos o melhor. Foi como uma prova dos nove: os Strokes tinham que mostrar se eram mesmo a salvação do rock ou só uma banda de playboys com nomes cool. Na minha opinião, eles são mesmo uns moleques criados a leite com pêra fazendo um rockzinho de garagem interessante. Mas assim como nos anos sessenta a moda rock'n'roll eram cabelos grandes e camisas de tye-die, o lance agora era outro, o indie: tanto que hoje em dia você anda por aí e encontra essa moda em todo lugar, sendo que na época em que os Strokes se lançaram era algo mais exclusivo aos apreciadores da música, mas nada contra, nem vou me alongar no assunto, afinal o Veliko não é um blog de moda.
Falando em Is This It, caracterizou o som da banda como melancólico, até meio depressivo e simples: um baixo marcante, batida fácil e um jogo de guitarras estilo punk, mesmo. As letras falam da vida urbana de um Julian Casablancas obscuro, mas que não dispensa boas referências (a música Soma é baseada no livro "Admirável Mundo Novo"). Talvez por ter sido muito marcante, muitos fãs e críticos diminuem a qualidade do segundo disco, Room On Fire, que é o velho "mais do mesmo", mas não por isso é pior que o disco anterior. Na verdade, acredito ser um Strokes mais maduro escrevendo canções melhores, como "What Ever Happened?" e o riff agitante de "Reptilia". A penúltima faixa, "The End Has No End", me lembra o filme Titanic (só Deus sabe por quê).
Se no Room On Fire tínhamos a presença de sintetizadores, apesar de leve, no First Impressions Of Earth eles praticamente tomaram conta em alguns trechos. Engraçado que quando tocamos no assunto "sintetizadores" as pessoas já lembram das cafonices dos anos oitenta e afins. Mas é claro que, com o bom senso que Casablancas e cia. tem, o recurso é utilizado de forma perfeita para se misturar ao som da banda. Abrindo com a linda "You Only Live Once", é possível notar uma mudança na sonoridade, saindo mais do rock de garagem cru e entrando num ambiente mais complexo. As linhas de baixo de Nikolai Fraiture ficam cada vez melhores ("Juicebox"), as frases de guitarra de Albert Jr. e Nick Valensi brincam uma com a outra, Casablancas melhora (um pouco) nos vocais, e a bateria do brasileiro Fabrizio Moretti continua a mesma coisa. Interessante o liricismo das faixas, dessa vez tratando de assuntos mais universais, mas não deixando de ser intimista como é praxe de Julian.
Uma pena que após 2006, não houve mais nenhum lançamento dos Strokes, o que deixou muitos fãs desamparados (inclusive eu, que nem sou mais tão fã). Angles promete um som mais maduro, depois que cada membro (exceto Valensi) lançou um álbum solo no período de férias da banda. Se é bom mesmo? Deixa só esse download terminar aqui.

Obs.: se você achou a comparação com Jim Morrison absurda, deixe sua impressão nos comentários. hehehe

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ramiro Arthur "Madcap Laughs"

Saudações, venho aqui desenterrar essa resenha do querido Ramiro, da qual ele não gostaria de ser publicada por conter alguns erros. Portanto, só de pirraça, eu publico o post e ainda: deixo todos os erros intactos. Deliciem-se!

Caros velikeiros, venho hoje com uma missão difícil. Não tão difícil, porém, quanto à missão de alguém ao produzir o álbum de um artista com distúrbios mentais, estes causados por uma predisposição à esquizofrenia e excesso de drogas. Naturalmente, estou falando do ilustre produtor do álbum “Madcap Laughs”, e de sua estrela, Syd Barrett, o diamante louco do Pink Floyd. Quer saber o nome do produtor que conseguiu essa façanha? Aí vai:

David Gilmour; Malcolm Jones; Peter Jenner; Roger Waters.
A missão difícil a que me referia no início do texto, era a de resenhar um álbum como este. “The Madcap Laughs” é para mim, underrated. Primeiro, levando em consideração o estado mental de Syd Barrett, que não conseguia, algumas vezes, cantar a música em vocal pleno, gritando e desafinando como um louco (falei bobagem?). Segundo, pelo fato de seus produtores iniciais terem desistido de continuar o disco, visto o modo indisciplinado como Syd trabalhava.
O trabalho foi iniciado em Maio de 1968 com o empresário Peter Jenner, um pouco após a triste saída de Barrett da banda que fundou. As sessões eram curtas e produtivas (delas saíram canções como “Terrapin” e “Love You”), mas, apesar disso, o estado mental de Syd só piorava cada vez mais. Até que um dia se tornou impossível gravar, e o projeto ficou abandonado por quase um ano.
Em abril de 1969, Malcolm Jones foi encubido de continuar o projeto com o recluso Barrett. Dessa vez, as sessões não eram nada produtivas (delas saíram a bem-sucedida “Octopus” e “Feel”, considerada pelos críticos como uma reflexão desesperada do estado mental de Syd). O doidinho, cantando e tocando sua guitarra acústica, esquecia a letra da própria música, atropelava os ritmos, e conseguia, dessa forma, deixar os músicos de estúdio muito frustrados. Estes não sabiam o que fazer com um compasso de 4/4 que era trocado de repente por um 3/4. Foi adotado, então, o seguinte modo de produção: Syd gravava a música sozinho com voz e violão, e depois dos engenheiros e produtor tentarem a corrigir com sua parafernália tecnológica (que nem era muita coisa naquela época), os demais músicos a completavam por sobreposição.
Após várias sessões improdutivas, outros dois músicos foram chamados para ajudar na produção: David Gilmour e Roger Waters. Gilmour ensinou Barrett a tocar guitarra, e o substituiu quando este não podia mais continuar o Pink Floyd. Waters já era integrante da mesma banda, e se tornou o seu líder após a saída do diamante louco.
Deixando um pouco de lado a forma dramática como o disco fora gravado, e partindo para seu conteúdo em si, darei minha opinião final sobre este. Algumas pessoas dizem que Barrett foi um dos pais do progressivo. Sim, pode até ser verdade. Afinal, a troca freqüente de ritmos é algo comum no sub-gênero, e é o que, sem querer, ocorre aqui.
É indispensável para qualquer fã do álbum “The Piper at the Gates of Dawn”, onde o diamante louco mostrou todo o seu brilho. Para quem é apenas fã de psicodelia, vale a pena por ser agradável e por se tratar de uma verdadeira loucura. Barrett não perdeu sua linda voz, embora, dessa vez, ela não tenha sido tão bem-aproveitada. O seu talento continua aqui, neste que eu acredito ser um dos álbuns mais “suados” da história da música. Recomendo prestar atenção nas três primeiras faixas e em “Octopus”, uma canção que por si mesma vai se destacar.
Termino aqui minha postagem de hoje, desejando um bom dia a todos, e boa votação amanhã, dia de eleição. Até o próximo post :) Vote consciente.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Alguns discos indispensáveis do rock pesado

Para complementar o post anterior, venho com essa lista de discos must-have do rock pauleira e seus links para download. É! Isso mesmo! Links para download! Falou em Veliko Valovi, falou em qualidade jornalística!

Iniciando nossa ode ao Satã (é sacanagem, amigos), vamos buscar no fundo da história do rock pesado, passando pelo blues dos negões americanos e tudo mais: Led Zeppelin IV, um álbum que rompeu paradigmas na época e contém uma das músicas mais lindas da história, Stairway to Heaven. Leve, depois pesada, depois leve, como um zepelim de chumbo.
Mas se você é daqueles que gosta de guitarras distorcidas, riffs pesados e um vocalista que come morcegos, Paranoid é a pedida certa. Nesse disco o Black Sabbath emplacou diversos riffs famosíssimos como Iron Man, Paranoid e War Pigs. Os primórdios do heavy metal estão aqui!
Falando de riffs famosos, acho que só existe uma banda que bate Ozzy e seus amigos. De quem eu posso estar falando, senão AC/DC? Let There Be Rock é um dos seus discos mais sujos, com um Bon Scott inspiradíssimo e claro, Angus Young fazendo o que sabe fazer (a mesma coisa toda hora hahaha). Além da música homônima, preste atenção em Whole Lotta Rosie, um hit do rock pauleira.
Pra mostrar que o rock pesado pode ter pitadas do rock progressivo, nada melhor do que ouvir Machine Head (Deep Purple) e Moving Pictures (Rush)! Misturando elementos de sintetizadores e música erudita (o solo de Highway Star), são dois discos indispensáveis para os fãs de prog. Quem nunca ouviu a introdução de Tom Sawyer? Ou Smoke On The Water? O tipo de música que se torna um hino em estádios cheios de metaleiros pelo mundo.
Saindo dos anos setenta, para um rock mais farofa dos anos oitenta, o Van Halen mostra como se faz, criando um álbum com um hit digno de Duran Duran (Jump) e um rock tão pesado que vai fazer você expurgar (Hot For Teacher). Falo de 1984, claro.
Ei, peraí, tem uma banda que entrou nos anos oitenta com o pé direito! Ah, é aquela da língua de fora? Hum, deve ser! Em 81 os Rolling Stones lançaram um dos seus maiores clássicos, Tatoo You, com um som digno dos anos sessenta, porém novo e repaginado, mas sem ceder àquela roupagem cafona da época.
Chegando aos anos oitenta, mesmo antes, as bandas mais conceituadas de hard rock começaram a lotar estádios com seus hits inconfundíveis, palcos mirabolantes e presença de palco de outro mundo. Duas bandas passam muito bem isso: Queen e KISS. Aliás, o disco A Night At The Opera d'a Rainha é um verdadeiro clássico, e digo isso porque considero um álbum de música clássica, só que uma roupagem moderna. Bohemian Rhapsody, ilustra bem minha ideia. Do KISS, pode ouvir sem medo o Alive!. Todas as loucuras que você pode esperar de Gene Simmons e sua trupe (haha) estão lá, no auge dessa que é uma das bandas mais pioneiras de sua época.
Pra fechar... bom, essa vai ser um pouco polêmica, afinal, junto com Nirvana essa é uma das bandas mais amadas/odiadas de todos os tempos. Senhoras e senhores, Axl, Slash, Duff e mais essa galerinha que eu nem sei o nome: Guns'n'Roses! "Ai credo!", você diz (de novo, se você leu o post do Exterminador do Futuro). Ok, faça o seguinte: ponha o Appetite for Destruction bem alto, feche os olhos e deixe aqueles tempos de moleque fedido jogando PS2 voltarem a tona. Depois você deixa nos comentários sua impressão! Hahaha

Ok, esses foram os dez discos que consegui reunir no mesmo post. Foi um pouco difícil de me decidir, e devem ter faltado alguns, mas acredito que com esses discos você estará bem acompanhado (por Lúcifer, claro).
Clique aqui para baixar os discos

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Rock pesado, o rock do futuro, o rock da geração jovem!

Esse post é para aqueles que antipatizam com o rock do futuro, nos quais se encaixam o rock pesado, o heavy pesado, rock pauleira, entre outros. Escrevo isso porque tenho muitos amigos que ainda não assimilaram a ideia dos riffs pesados e sujos que são tocados em ode ao Satã. Tento, desde então, a entender a mente desse tipo de pessoa para então, reverter o processo. Vou confessar que já fui assim. Há um ano eu nem ouvia Led Zeppelin direito! Só curtia o tal do rock progressivo.
Galera (podre), abram seus olhos (e seus corações, também). Quando você está ouvindo AC/DC, por exemplo, quando aqueles riffs poderosos tomam conta da sua alma e você resiste em aceitar, que apesar daquilo ser simples, é cheio de energia, tem algo errado nisso! Afinal, o rock não foi feito pra se divertir? Tudo bem que muitas bandas (inclusive a minha preferida, Pink Floyd) resolveram tornar essa diversão em engajamento e deu muito certo, parabéns. Mas não vamos enganar-nos e se alienar para o que é óbvio. Deixe-me explicar: o Pink Floyd por exemplo, faz letras de protesto e tudo mais. O AC/DC, para usar o mesmo exemplo, também faz. Só que é um protesto jovem. Um protesto juvenil, enérgico, sem muitas preocupações com o meio-ambiente ou nada do tipo.  O rock pesado é um hino a liberdade de expressão, a liberdade do jovem de sair na rua gritando a todos e a todas o que pensa de forma rápida, intensa e mortal (ê). E aí que entram as guitarras com seus power chords, uma bateria pauleira e um baixo qualquer (êêê).
É disso que se trata o rock do futuro, o rock da geração jovem. Não é nada mais, nada menos do que saudação ao demônio, nosso pai. E se você ainda não está convencido, veja o vídeo abaixo:


E se você quer mais:



Se você não se convenceu, deixe sua impressão nos comentários.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Rolling Stones "Let It Bleed"


Com sua sonoridade pesada e sombria se comparada com diversos estilos da época, esse disco traz em sua bagagem questões como a expulsão de Brian Jones (guitarrista base) por uso indiscriminado de drogas (que atrapalhavam o sucesso das gravações) e posteriormente sua morte (em uma briga com um pedreiro que trabalhava em sua casa), a guerra do Vietnã e também o movimento hippie com seus gritos de paz e amor.
O titulo causou e causa polemica até hoje e pode ser interpretado de várias formas. Uma delas é que o mesmo seria uma paródia, ou mesmo uma sátira de "Let It Be" dos Beatles, já que esse conjunto teve certa dificuldade em concluir o esse álbum por diversos problemas.
O disco conta com musicas como ‘‘’Let it Bleed’’, "Midnight Rambler", "Monkey Man" e "Gimme Shelter" que são verdadeiros clássicos dos Stones, e consequentemente do rock n roll, e não podem faltar no seu acervo de ‘’Sons Cabeçudos’’. Esse álbum também possui canções menos explosivas mas de muito conteúdo nos arranjos e letras e principalmente de muito feeling por parte de seus compositores a exemplo ’’You Got The Silver’’, ‘’Love In Vain’’.Não podemos esquecer de ‘’Live With Me’’que apresenta Keith Richards no vocal, "You Can't Always Get What You Want" fecha o álbum com maestria por parte da banda.
Vale a pena escutar o ‘’Let it Bleed’’ que é o oitavo disco da banda e é com certeza uma obra de arte, algo paradoxal que reflete e reforça diversas revoluções vividas pelas banda e pelo mundo em uma década mágica e maravilhosa.
Essa conta com o selo de qualidade Strick Nike !

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Queen "Rock Montreal"

Queen. Quem nunca ouviu falar dessa banda? Ou pelo menos nunca ouviu um de seus hits? Sinceramente, não conheço uma banda que goze de tanta popularidade quanto Queen (inclua Beatles e Rolling Stones no páreo). Também são poucas as bandas que (infelizmente) gozam tanto de preconceito quanto a "Rainha". Talvez sejam justamente os famosíssimos singles que mascarem a banda como "pop". Ok, vamos esclarecer uma coisa: existem outros tipos de pop quanto ao que toca nas rádios. Queen, é o melhor tipo de pop. Pode ouvir sem medo, se você começar a cantarolar o refrão ou bater palma, relaxe. Isso é Queen!
Falar dessa banda britânica é um pecado sem comentar dois dos seus pontos mais altos: os concertos ao vivo e Freddie Mercury. E (Deus salve a rainha) esses dois elementos transam de forma espetacular. Por isso mesmo escolhi como motivo dessa resenha o DVD "Rock Montreal", com uma linda imagem escaneada diretamente do negativo da gravação, ou seja: a qualidade é absurda. Tudo bem que ver os detalhes dos shorts de Freddie não é muito agradável (para o público hétero, claro), mas é rara uma gravação antiga do modo que está apresentada na obra.
O bacana de ver Queen ao vivo é a viagem que o grupo fornece durante o show. O repertório contém os maiores clássicos da banda (antes do sintetizadores entrarem de vez), Brian May desce a porrada com o timbre inconfudível da "Red Special", sua guitarra artesenal. John Deacon como sempre no seu canto cumprindo seu dever (dando umas requebradas de vez em quando) e Roger Taylor mandando muito bem na bateria, mas principalmente nos vocais (I'm in love with my car). Freddie... bem, o que falar desse que é um dos frontmen mais influentes da história da música? Mercury faz de tudo pra tirar a plateia do sério (apesar de nesse caso a galera ser meio tapada): pula, corre, se esperneia, se afrescalha, improvisa, interage com o público e canta, canta muito!
Sobre o setlist, é impecável: Queen oferece de bandeja desde clássicos inconfundíveis como a dobradinha "We Will Rock You" e "We Are the Champions", a belíssima e complexa "Bohemian Rhapsody" (com uma pitada de playback, mas vá lá), o psicodelismo de "Get Down Make Love", rock anos 50 com "Crazy Little Thing Called Love", a linha de baixo marcante de "Another One Bites the Dust" até a linda balada "Love of My Life". Enfim, uma passagem só de ida para a terra onde esses quatro gênios dominam.
Por fim não tenho a dizer exceto que, sim, Queen é recomendadíssimo! Assista e tire suas próprias conclusões dessa que é a banda pop mais rock'n'roll de todos os tempos! God Save the Queen!
Obs.: até um tempinho atrás eu odiava Queen. Poisé, queimei a língua (:

sábado, 11 de dezembro de 2010

Iron Maiden "The Final Frontier"

Resenhar um álbum de heavy metal, quando não se é adepto do estilo musical me parece uma porta para reclamações aqui no Veliko Valovi. Mesmo assim, vou me arriscar e abordar dessa vez o novíssimo álbum do Iron Maiden, banda que virá tocar em Belém (?!) ano que vem. 
Nunca ouvi muita coisa de heavy metal, quem dirá de Iron Maiden, mas esse trabalho deles me parece bem enérgico. Talvez não tanto como em álbuns clássicos ("Number of the Beast", por exemplo), mas ainda tem aquela certa jovialidade do metal. Acho que essa jovialidade é que atrapalha o álbum: não para aquele ouvinte casual, mas sim para quem quer algo mais maduro. É só comparar as faixas "responsáveis" com as faixas "irresponsáveis": faixas com requintes dignos de rock progressivo e faixas com refrões dramáticos e grudentos. Não quero dizer que o álbum peca em qualidade em algum momento, pelo contrário, o que dá pra perceber é um Iron Maiden descendo a porrada do jeito que eles sabem fazer, com a melhor técnica que eles podem tirar (ou perto disso). O ponto é que, esse álbum meio que se divide em duas vertentes (uma divisão leve e esparsa, diga-se de passagem), o que pode agradar diferentes tipos de ouvintes. Nisso, admito que o Iron soube pontuar bem seu álbum e deixar ele bem tranquilo de ouvir, até mesmo contra o detalhe de as músicas variarem de 4 a 11 minutos.
As letras, como a capa já desponta, falam sobre ficção científica, história e outros assuntos nerds, como é característica da banda há tempos. Melhor do que sexo, drogas e rock'n'roll que o hard rock costuma abordar.
Pra galera que curte algo mais elaborado, destaco a primeira música "Satellite 15... The Final Frontier", que é pesada no ponto. As seguintes, "El Dorado", "Mother of Mercy" e "Coming Home" caem no clichê heavy metal, mas são bem divertidas, assim como "The Alchemist", apesar de eu ter achado essa bem mais legal. "Isle of Avalon" retorna com uma instrumentação intrincada e uma linha de vocal bem épica. "Starblind", "The Talisman" e "The Man Who Would Be King" parecem repetir a mesma fórmula: começa de leve, mete a porrada e o Bruce Dickinson gritando pra valer. A última desse trio, é bem interessante por mudar o ritmo algumas vezes, dando um toque progressivo no metal. Finalmente, temos mais onze minutos de "porrada responsável" com "When the Wild Wind Blows", com uma melodia grudenta, mas que vai te deixar viciado nesse tal de heavy metal.
No fim das contas, "The Final Frontier" é um ótimo álbum, não é nada forçado e o Iron Maiden faz um som digno de sua carreira. Talvez o que esteja um pouco desgastado seja o vocalista, Bruce Dickinson, mas nada que atrapalhe essa banda que é a dama de honra do metal pesado, o rock da geração jovem (hahahaha)! Longa vida ao rock'n'roll de qualidade, e que sirva de exemplo pra essas bandas antigas continuarem fazendo discos de qualidade e essas bandas novas tomem vergonha e façam um trabalho condizente. Viva o rock pesado! Viva ao demônio, nosso pai!

sábado, 16 de outubro de 2010

Liquid Tension Experiment

Sabe aquele post ousado que eu prometi em um certo comentário a pouco tempo? Não vai ser dessa vez, ainda. Mas aguardem uma possível “dobradinha gente boa”. Quer dizer, uma postagem dupla, onde eu e o dono do blog, Mateus Pratagy, discutiremos sobre behaviorismo e pavlovianismo.
Barbudos que fazem som cósmico.
Novamente, vou escrever sobre música (ultimamente, essa tem sido minha verdadeira motivação pra viver). Mas, ao contrário do que tenho feito ultimamente, venho hoje para resenhar uma banda, e não um álbum.
Ouvi o primeiro dos dois discos do Liquid Tension Experiment um dia desses, e simplesmente me apaixonei. Para quem não sabe, LTE é um supergrupo formado por Mike Portnoy, John Petrucci, Jordan Rudess, todos do Dream Theater, e mais Tony Levin, conhecido por seu trabalho no King Crimson. E o que eles fazem? Um bom e puro metal progressivo, claro.
Não pense, no entanto, que a banda é cheia dos clichês que marcam o metal, como a agressividade, muitas vezes, descabida. Não pense também que é música muito embranquecida, cheia de virtuosidade e nenhum feeling na parada, como pode sugerir erroneamente a primeira faixa do disco “Liquid Tension Experiment”.
Não pense ainda que eles investem muito nos clichês do rock progressivo, com músicas que ocupam discos inteiro de tão longas. Por trás desse nome estranho, há um conjunto muito bem equilibrado, canções de pura emoção como “State Of Grace”, e também espaço para rebuscamento e exibicionismo, como na já citada abertura de “Paradigm Shift”. Há também um lugar para longas suítes como nos mostra a incrível “Three Minute Warning”, dividida em cinco partes e que encerra o primeiro disco (é irônico que uma canção cujo o título sugira três minutos, dure os quase trinta minutos que dura). 
Saindo então do primeiro álbum da banda, e passando para o segundo, “Liquid
Capa gente-fina, não?
Tension Experiment 2”, somos surpreendidos por “Acid Rain” e seus instrumentos que se combinam fantasticamente, até com uma certa violência bem metal. Essa agressividade tem também seu antídoto: a introdução de piano em “Biaxident”, uma outra faixa que alterna o ouvinte entre céu e inferno. Mais tarde, nos deparamos com uma canção que é regida por uma forte linha de baixo, e depois vai crescendo com a introdução de teclados e sintetizadores. Essa se chama “914”.
Saindo dessa, vamos, literalmente, para outra dimensão. Trata-se de uma canção que flerta com gêneros latinos. Seu título, “Another Dimension”, cai como uma luva no conteúdo da faixa. Em seguida, nos deparamos com uma peça de certo valor sentimental, e que gradualmente, se transforma numa espécie jam session, abrindo caminho também para as últimas faixas do CD. É a “When The Water Breaks”. Seu título é assim graças ao quebramento da bolsa da esposa grávida do guitarrista John Petrucci.
Dado o recado, aqui encerro minha postagem, pedindo desculpas pela pressa com que ela foi concluída. Não responderei aos comentários tão cedo, já que estarei em viagem hoje e amanhã. Mas elogios e críticas (bem-feitas e fundamentadas) serão sempre bem-vindos. Sintam-se todos abraçados por mim :)

sábado, 9 de outubro de 2010

Um dia para ouvir The Doors

Saudações. Notaram o novo visual? Para estreá-lo, resolvi mandar um post novo, que estive planejando sexta-feira (ontem), quando faltei aula, e iniciei uma árdua missão: ouvir todos os seis discos do The Doors com Jim Morrison sem parar em ordem cronológica. Portanto, tente tirar os olhos dos porquinhos ao lado e viaje comigo.
Iniciamos com gás. Vigor, criatividade, explosão. Isso tudo Jim Morrison exprime com muita sensualidade em "Break On Through", uma das canções clássicas da banda. Talvez seja já um resumo do que você encontra ouvindo Doors, como Manzarek uma vez disse:  

"Música Bauhaus. É limpa, é pura. De um lado há o piano, do outro uma guitarra, a bateria no meio, um tom de baixo no fundo e o vocalista à frente e tu consegues ouvir as letras. Essa é uma das razões porque o som dos The Doors continua ser importante hoje em dia. É claramente moderno. E era isso o que pretendíamos."

E então partimos para mais baladas e hits de sucesso empolgantes, como Alabama Song, Light My Fire (atenção para os solos de órgão e teclado) e Backdoor Man. Manzarek está completamente correto em sua frase acima. The Doors é muito a frente de sua época. Completamente avant-garde. Pra fechar com chave de ouro, um habituê dos fãs d'as Portas, The End. Dramática, longa, rastejante... Jim Morrison mostra toda sua genialidade como letrista nessa, e como vocalista também.
Termina The Doors, inicia-se algo mais obscuro, talvez com pitadas de ficção cientifíca? Strange Days repete o feito do seu antecessor, só que agora um pouco mais melancólico, com faixas como Strange Days, You're Lost Little Girl, Moonlight Drive, People Are Strange, mas sem perder claro, com a efervescência de uma banda à flor da pele, jovialidade sem precedentes. Porém, acho que o único porém deste álbum é sua faixa final. Novamente há algo longo, dramático, sombrio, mas pra mim não passa de uma sombra torta de The End.
Estava tão bom, tão espontâneo, tão psicodelíco, e começa Waiting for the Sun. Desculpem-me Jim e seus parceiros, mas Waiting for the Sun é desnecessário, assim como seu sucessor, The Soft Parade. The Doors se torna uma banda de hits de sucesso, um Jim Morrison dosado para parecer não-dosado, exageros agora mascarados como exageros. Longas passagens instrumentais? Raro. Poesias intrincadas e rebuscadas, porém modernas? Nada disso, apenas a mesmice da objetividade. "Hello, I Love You, won't you tell me your name". Não, obrigado. 
Minha jornada fica enfadonha. Até mesmo o estilo lindo e penetrante de "Mr. Mojo Risin" cantar fica agoniante. Mas olha, pra deixar claro, esses dois álbuns são bons. Não os despense. Aliás, não despense The Doors. Mas da feita que você absover tudo aquilo que os dois primeiros álbuns passam, suas poesias, ao ouvir os outros dois posteriores, um sentimento de esgotamento criativo na banda fica claro. Mas graças à Deus (haha), tudo é resolvido com Morrison Hotel.
Hard rock maduro, porrada seca no coração. Roadhouse Blues começa com tudo, e você joga as mãos pro alto e grita um "Aleluia!". E só há de melhorar, pra quem curte algo um pouco mais pesado, o hotel de Morrison é um prato cheio. Se você não estiver com cabeça pra levar porrada sonora, esse hotel se torna um pesadelo com dor-de-cabeça. Eu por exemplo, já estava quase expurgando e esmilinguindo.
Finalmente, o último! L.A Woman. Ah, finalmente, parece que os caras voltaram aos trilhos e fizeram algo paralelo aos seus primeiros (e melhores) trabalhos. Quer saber? O álbum inteiro é ótimo, mas estaria a sombra dos outros não fosse o maior clássico da banda estar incluso nele. Sim, Riders on the Storm. Precisa falar mais alguma coisa? A magnum opus de Morrison, Manzarek, Krieger e Densmore. Sensual, selvagem, melancólica, sombria, linda, impactante, penetrante, tudo isso e um pouco mais. Esperar cerca de cinco horas pra ouvir essa música vale a pena.
Pra finalizar esta superresenha, ousada e reverente, deixo vocês com William Blake:

"If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is: infinite"

sábado, 2 de outubro de 2010

The Beatles "Abbey Road"


A capa é uma das imagens mais famosas da história!
O que seria o melhor álbum de uma banda de peso como The Beatles? Como analisa acertadamente o crítico musical Joel McIver, muitas pessoas apontariam o psicodélico e tecnicolor “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, outras apontariam o limpo e criativo “Álbum Branco”, e algumas outras ficariam com o sombrio e pré-psicodélico “Revolver”. No meio de tantos discos bons, fica camuflado um que, certamente, merecia mais destaque: “Abbey Road”. Apesar desse esconde-esconde, a capa do disco ainda consegue ser uma das imagens mais famosas do mundo, como aponta o site http://www.worldsfamousphotos.com/
Deixando de lado a preferência dos fãs quanto ao álbum, tentarei dizer a você, leitor, o que faz desse uma obra-prima que merece verdadeiro destaque. “Abbey Road” é um disco recheado de reviravoltas e extremos, deixando bem clara a crescente diferença entre os quatro beatles – artísticas, religiosas, filosóficas, e assim por diante. O versátil álbum, de dezessete canções, deixa à mostra o estilo de todos eles. Até mesmo de Ringo Starr, o menos ousado (e talvez criativo). Possui a mais entusiasmada canção do grupo – “Here Comes The Sun” – e a mais melancólica – “Because”. A mais curta – “Her Majesty” – e a longínqua “I Want You (She’s So Heavy)”. Que por sinal, também é a mais longa canção do grupo para quem ignora a avant-guarde “Revolution 9”.
Além das já citadas canções, daria destaque para a viagem ácida de “Come Together”. Depois dessa, o ouvinte depara-se com, arrisco-me dizer, a mais linda balada de todos os tempos: “Something”. A canção de Harrison dedicada
Convidado da gravação batendo o martelo de Maxwell.
à esposa Pattie Boyd não deixa nada a desejar para as da dupla Lennon/McCartney. Pelo contrário, além de ter sido o carro-chefe da divulgação do álbum, se tornou a segunda música mais regravada do grupo (perdendo apenas para “Yesterday”, que, atualmente, é também a canção mais regravada em todo o mundo). O incrível vocal de Harrison e sua surpreendente guitarra fazem jus aos que apostam no caçula como o mais virtuoso beatle.
Tem também “I Want You (She’s So Heavy)”, uma das maiores loucuras já produzidas pelo quarteto fabuloso. Mistura sons de sintetizadores, metais e teclados doidos, riffs trágicos e ruídos brancos. Porém, o que há de mais virtuoso na música, me arrisco de novo, é o ágil e genial baixo de Paul McCartney. A canção é interrompida bruscamente, encerrando o lado “A” do vinil. Há quem diga que o rolo de fita tenha acabado nessa hora, embora Lennon afirme que foi proposital. Uma curiosidade é que a peça é formada por apenas quatro frases, sendo estas incessantemente repetidas. O resto é apenas de instrumentação.
Como já dito, “Here Comes The Sun” é mais entusiasmada canção conhecida
Banda indo bater a foto do álbum.
do quarteto. A excelente combinação das guitarras de Harrison com sons indianos e sintetizadores, faz dessa canção uma obra à parte. No conceito, é o extremo oposto da sua subseqüente, “Because”. Numa descontraída metáfora, o ouvinte do álbum chega num ponto máximo de felicidade com a Harrisong, e é jogado em um abismo ao iniciar a melancólica canção de Lennon. Deve se dar ênfase ao fato de que “Because” é uma canção do maluco Lennon, e não do emotivo McCartney, como apostaria a maioria. Os três, Lennon, McCartney e Harrison, a cantam em coral. Na gravação final, o coral foi sobreposto para dar o efeito de nove vozes.
Dado o merecido (ou não merecido, vista a quantidade de músicas boas num só disco) destaque para as canções, concluo expondo uma dúvida que me deixa doido de vez em quando: Esse é mesmo o melhor álbum dos Beatles? Não será o “Sgt. Pepper’s...” ou o “Revolver”? A resposta é que, esses caras eram de uma criatividade tão extraordinária, que podemos nos dar ao luxo de escolher o que é melhor pra cada momento. Tô filosofando? Vou ouvir o “Revolver”. Tô apaixonado? A melhor pedida é o “Rubber Soul”. Quero viajar na maionese? Vou ouvir o “Sgt. Pepper’s...”. Tô em conflito existencial? Vou tacar o “Abbey Road” aqui na vitrola.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Yes “Close to the Edge”


Definitivamente um dos maiores clássicos do rock progressivo, é este incrível álbum de (originalmente) três músicas "Close to the Edge". E também bastante representativo do quanto o progressivo pode ser exagerado e harmônico ao mesmo tempo.

Abrindo com uma longa faixa de quase 20 minutos homônima que ocupa um lado inteiro do vinil, o virtuosismo chega dando as caras de forma branda e a porrada seca invade seus ouvidos. Steve Howe viaja na sua guitarra, sempre muito criativa até que há uma pausa e se ouve um "ah!", um coro leve na voz de Jon Anderson, e então voltamos a loucura de Howe, que vai logo tomando forma e se torna algo calmo e ritmado, até entrar os vocais e está instaurada a aura prog até o talo. Se você não curte o estilo, e antipatiza com seus exageros, esqueça Close to the Edge. E a primeira faixa já mostra isso logo de cara, sendo que o ouvinte desacostumado desiste logo no início. Olha, sinceramente, não entendo como algumas pessoas reclamam do virtuosismo do Yes. Creio que este é o mérito da banda, fazer um som com técnica apuradíssima e mesmo assim não haver a perda de feeling. Pelo menos neste álbum.

Tudo bem, vamos andar um pouco adiante com esta Close to the Edge, e lá pelos oito minutos a coisa muda de novo, e ouvimos um baixo super trabalhado, créditos de Chris Squire, um dos deuses do instrumento no mundo do rock'n'roll. Então saímos do segundo ato "Total Mass Retain" para ir ao terceiro, "I Get Up I Get Down", com órgãos de outro deus do seu instrumento, Rick Wakeman, bem calmos enquanto os vocais cantam algo bem tranquilo também. Certeza de viagens psicotrópicas pelo espaço sideral. É incrível como tudo é milimetricamente calculado nas músicas do Yes. Além de todos seus instrumentos serem tocados ao extremo, sua harmonia vocal é perfeita, virtuosa ao extremo.

O que podemos falar mais? Close to the Edge é daquelas músicas que levam o conceito progressivo até o fim. E então temos as outras duas faixas que fecham o álbum, "And You And I" e "Siberian Kathru". Essas vou deixar pra vocês concluírem (isso se ouvirem tal obra-prima), mas podem ter certeza de que Squire, Howe, White, Anderson e Wakeman vão fazer o máximo para mostrar o que é rock de verdade, e que rock precisa de cuidados especiais, rock precisa de responsabilidade. Agora se Close to the Edge é responsável ou irresponsável e exagerado, é a você quem cabe descobrir.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os Mutantes - "A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado"


"Ama ou não ama? / Se ama, me chama / Que eu vou"
Venho aqui hoje, para falar sobre um dos melhores discos “brazuca” que eu já tive o prazer de ouvir: “A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado”, da banda tropicalista Os Mutantes – um álbum muito agradável, não só por sua qualidade musical, mas também pela mistura de psicodelia com peculiaridades brasileiras. Mistura essa que já consagrou a banda, e a colocou entre as melhores e mais ousadas da história musical no país.
Largando o momento “bajulação” do texto, falarei sobre as faixas – maioria delas é de um dualismo quase paradoxal! Desde a psicodélica e sensual “Ando Meio Desligado”, até a experimental e fúnebre “Meu Refrigerador Não Funciona”, passando pela bonitinha e trágica “Hey Boy”. Os pontos altos da obra-prima não poderiam ser esquecidos. Estão na assustadora e calma “Ave, Lúcifer”, na triste e carnavalesca regravação de “Chão de Estrelas”, e na cômica e debochada “Quem Tem Medo de Brincar de Amor” – cujo título original era “Quem Tem Medo de Fazer Amor”, sendo logo censurado pela ditadura militar.
A lista de canções começa de cara com um trio de ouro: “Ando Meio Desligado”, “Quem Tem Medo de Brincar de Amor”, e, para mim, a mais
sensacional de todas “Ave, Lúcifer”. Não podemos deixar de citar o grand-finale por conta da instrumental “Oh! Mulher Infiel”, uma espécie de improvisação misturada com uma canção que parecia já estar escrita.
O ousado disco será, sempre, uma referência para o cenário psicodélico no Brasil. Isso não só pelas canções que surpreendiam a cada nota tirada das guitarras, a cada momento dos incríveis órgãos e sintetizadores, ou a cada ruído inusitado jogado nas canções. Também pela marca que deixou na história
Os responsáveis pelo disco, Mutantes!
da música no Brasil. As ousadas capa (uma encenação de “A Divina Comédia”) e contra-capa (Rita Lee e os irmão Batista prontos pra um bacanal) não deixam dúvidas: A banda tinha chegado para transgredir as regras, em pleno Brasil de ditadura militar. Além disso, houve, nele, uma evolução na sonoridade dos Mutantes. A banda rompeu, de certo modo, com o movimento tropicália, criando um vínculo mais forte com o rock mundano. Basta olhar para os viajados teclados e as excelentes linhas de baixo, além do lindo vocal de Rita Lee. Algo suave e frágil, mas avassalador nos momentos certos. E aí fica minha indicação, se você quer algo de diferente pra ouvir de um artista brasileiro. “A Divina Comédia...” leva um selo de ouro do Veliko Valovi.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Jethro Tull “Thick As A Brick”


Saudações galera velikeira. Venho, por meio desse blog, comentar sobre um álbum que conheci semana passada e fiquei completamente alienado por ele. Veja bem, se alienar nem sempre é ruim, afinal, Thick As A Brick é uma peça de perfeição moderna.