Y - E quando deixou de acontecer? Houve algum tempo sem guerra?
X - Por que guerreamos?
Y - Meu chapa você tem que ver a guerra com outros olhos.
X - Como assim?
Y - Veja os benefícios da guerra: ela movimenta a economia mundial, contribui para o controle populacional e nos ajuda a querer a paz . Ou seja, gera empregos, tributos, notícias e a garante a vida dos políticos.
X - Esse seu pensamento é distorcido, pois esconde o fato de a guerra gerar dor, intolerâncias, fome e miséria.
Y - Por sua vez, você negligencia o fato de as guerras também serem feitas em nome de Deus, de qualquer "deus". Portanto, são santas mesmo que envoltas em sangue.
X - Quer dizer que a paz é a guerra com disfarce?
Y - Não sei. O que sei é que a guerra pode ser declarada com mentiras, sem disfarce.
Um grito desesperado, pronto para sair, diz Waters sobre a obra-prima do Pink Floyd, "Dark Side Of The Moon". De fato, é um grito e tanto. Dentre diversos outros gritos que foram lançados ao ar na época, por que, esse, em específico, se tornou objeto de obsessão por milhões de pessoas mundo afora? Talvez por ter um single de sucesso jogado no meio do álbum, que ecoa até hoje nas rádios? Uma capa misteriosa e instigante? Um solo vocal feminino extasiante? Tudo isso e um pouco mais.
Não vou tentar resenhá-lo, não. Dark Side está um patamar acima de qualquer crítica. Está no hall da eternidade, o tipo de coisa que a humanidade guardará para sempre, como alguma obra do Shakeaspare, Kafka, Orwell, ou algo que o valha. É de uma sincronia assustadora com a vida moderna, com você. Impossível não ouvir os versos escritos pelo baixista Roger Waters e não se identificar. Confesso que sem esse álbum não me interessaria por metade do que me interesso hoje, como socialismo, filosofia e tudo mais. Dark Side é um impulso, só precisa ser levado a sério e assimilado com bons ouvidos.
Liricismo simples, de significado absurdo, combinado a música popular, levada ao extremo da sofisticação. Elementos de jazz, erudito, rock'n'roll, blues, está tudo lá. Não é sobre preencher, é sobre deixar o vazio. O som tem pausas, te deixa respirar, volta, te esmaga, põe um saxofone ali, backing vocals femininos aqui. Eu poderia ficar linhas, parágrafos, posts e posts falando sobre como a guitarra do Gilmour é simples, entra e sai suavemente, sobre a progressão de acordes de Great Gig in The Sky, do solo de saxofone de Us And Them.
Mas vamos fazer assim, ouça. Se você já conhece, ouça de novo, se não: ouça, e o quanto antes. Mas com fones de ouvido, no mínimo. Não preciso falar mais nada por aqui, apenas leia esse blog: ele respira e transpira Dark Side Of The Moon. Se querem saber mesmo, e eu posso parecer um louco ou algo do tipo, mas minha vida é regada a Dark Side of the Moon. O que penso, o que sinto, nasceu ali, naquele "CD do prisma". O resto, veio com o tempo, e ainda vem mais, com certeza. Passaram-se trinta e oito anos, mas eu até podia te jurar que foi ontem.
Antes de qualquer coisa, queria dizer que não sou nenhum estudante aplicado de sociologia ou algo que o valha, não quero fazer conclusões precipitadas, nem tenho a pretensão. Só falo mesmo do que penso, e não venham me dizer coisas imbecis depois, a não ser que eu esteja sendo imbecil demais nas minhas linhas a seguir. Está claro? Vamos lá então.
Como vocês já devem ter percebido, sou um sujeito meio revoltado com as coisas e que aspira por uma mudança, mas que não sabe como fazer isso. Ok, como eu, devem existir milhares, milhões de adolescentes, que procuram meios de chegar ao seu paraíso imaginado, jovens estudantes que imaginam um futuro de igualdade, um mundo melhor e todo a falácia socialista do seu professor de sociologia do ensino médio. Mas infelizmente, dando uma leve olhada nos movimentos estudantis que existiram no mundo na década de sessenta, cheguei a conclusão de que hoje em dia os tempos estão mudados. Óbvio, mas calma. Mudados não no sentido negativo. Na verdade a tendência é a qualidade de vida da população geral do mundo aumentar. Mas enquanto as pessoas tem carros melhores, casas maiores e piscinas com trampolim no quintal, mais quietas elas ficam no seu canto. No fim das contas, a gente só precisa correr atrás do prêmio, mesmo!
Não tem pelo o que lutar, não tem o que falar. Qualquer grito que você der, não será tão escandaloso quanto já foi há cinquenta anos. Hoje em dia a sociedade está aberta a tudo e todos, as diferentes ideologias e culturas mundo a fora (não digo todas, mas grande parte) estão misturadas num mesmo caldeirão. Não tenho como imaginar hoje uma revolução sexual como a criação da minissaia por Mary Quant, nos anos sessenta. Afinal, o sexo já está mais que banalizado, invadindo nossa sala de estar enquanto jantamos nosso miojo com queijo ralado. Não estou criticando isso! Só quero dizer que no passado nossos ídolos já fizeram um monte de coisa por nós, e acabaram matando nossa vontade de rasgar o peito e desabotoar o cerébro.
Não devemos atacar o fim. Devemos atacar o meio. Vou explicar isso da melhor maneira possível: é sim ou não. Para mostrar quem você é, você precisa ter opinião formada. Ou é sim, ou não; gosto, ou não gosto; concordo, ou não concordo. O sujeito pode nem mesmo ter pensado realmente a respeito, mas precisa ter uma opinião final sobre o assunto. E assim que podemos colocar no mesmo parâmetro os que gostam e os que não gostam do BBB, por exemplo. A maioria que gosta, vê apenas pra se divertir e comentar sobre o reality no dia seguinte com seus amiguinhos. E a maioria que não gosta, não vê justamente pra julgar os que veem. Qual seria o pior? Acredito que são dois lados da mesma moeda. Seria tão bom se procurássemos dentro de nós as respostas para as perguntas que o nosso ambiente propõe. E se não achássemos nada, bom, deixa pra lá, pra que ficar correndo atrás de uma identidade se você sabe que ela é falsa?
A questão toda não é se tal pessoa diz "sim" ou "não". A questão é como ela chegou naquela conclusão, se foi de forma inteligente ou apenas uma resposta a um meio opressor cheio de porcaria em que vivemos. Acho que é por aí que começa a busca por um "desabotoamento do cerébro". Começarei a fazer, e lhes digo se está dando certo ou não. E se der, quem sabe não começamos um processo novo, nunca antes visto, de ideologia jovem? Porque os anos sessenta já foram. Todos as figuras que deixaram sua marca lá já estão descansadas no paraíso da imortalidade, não adianta ficar vivendo em cima de um contexto que não existe mais. Vamos à frente, amigos (:
The Who, banda símbolo dos anos sessenta e preferidinha dos hippies e pseudohippies ao lado de Jimi Hendrix, Beatles, Grateful Dead, etc. Infelizmente, (pelo menos hoje em dia) os Who são desprezados se comparados as outras bandas de sua época, como se fosse uma banda de segunda linha, e não no mesmo hall de fama que Stones, Beatles ou Led, por exemplo. Acho que esse desprezo não pode ser mais equivovado! E o The Who mostra isso com excelência na sua obra-prima "Who's Next".
Obra-prima porque, se pudéssemos definir o conceito de uma "magnum opus" diríamos que seja uma compilação de hits de sucesso. E das nove músicas do disco, uma ou outra é mais fraquinha, o resto é puro rock'n'roll que vai grudar na sua cabeça por um tempo. O melhor de tudo é que a banda não se contenta em fazer um ótimo hard rock, e faz uma mistura com o som progressivo, colocando elementos na medida, como gaita, sintetizadores, etc. Diria que o som do The Who é o rock mais abrangente já feito por aí.
Não é pra menos, afinal, a banda é formada por quatro músicos de grosso calibre (hehe). Keith Moon era um bateirista muito louco, referência a metade dos bateiristas de hoje. John Entwistle é tido como um dos melhores baixistas da história, influenciando toda a vertente do rock no quesito dos graves. Pete Townshend, nem precisa dizer: foi o cara que inventou aquele negócio de misturar boliche com guitarra. E Roger Daltrey, por fim, com sua voz potente e cachos dourados, formam um dos melhores quartetos do rock, tanto em técnica quanto em originalidade.
Um ótimo álbum para começar a ouvir "esse tal de Roque Enrow", Who's Next é uma viagem só, abrindo com o tecladinho doido de "Baba O'Riley". Dentre outras, tem a linda "Behind Blue Eyes", que todo mundo conhece, e "Won't Get Fooled Again", aquela da abertura do CSI (haha). Não sei como alguém ouve esse álbum e vem falar que The Who não está entre os grandes do rock inglês. Faça-me o favor! Falou em The Who, falou em rock de primeira!
O que acontece quando uma das maiores bandas de rock'n'roll de todos os tempos é exilada da Inglaterra e se tranca numa mansão no interior da França, com suas fichas criminais sujas e devendo uma grana? Bom, o jeito é compor algumas canções de blues no porão e ver no que dá. E assim nasceu a obra-prima dos Rolling Stones, "Exile On Main Street".
Este álbum duplo tem um som mais "caseiro", a mixagem dos instrumentos é de cara meio estranha, parece mais ter sido gravado nos anos cinquenta. Por exemplo, repare que a voz de Mick Jagger fica apagada ao lado do som todo, o que dá um toque especial na sonoridade dos Stones. As músicas gravadas na França (em Nellcôte) são as melhores: têm um ar melancólico de um blues regado a álcool e fumo, com gaita, piano e tudo mais. Ouça "Sweet Virginia" e "Loving Cup" para saber do que estou falando. E é justamente por todas as cagadas em que os Stones ficaram marcados nessa época, é que foi feito a melhor coisa que as pedras que rolam já conceberam no mundo do rock'n'roll. Tudo o que a banda representa, tudo o que a banda criou com o passar do tempo, o estilo de vida rockstar; está tudo aí, nos dois discos de Exile On Main Street. Um ode ao blues e ao rock de verdade (sem querer desmerecer os outros rocks, só quero dizer que esse é o rock mais puro), parado, ali, em 1972, como uma pedra que nunca foi lapidada. Pra quem quer sacar esse rock de raíz, vale a pena comprar a edição remasterizada (do ano passado, se não me engano) na Saraiva ou algum lugar parecido. E se querem saber mesmo, esse é o único álbum que realmente vale a pena dos Stones. O resto, é resto. Mas Exile ficará pra sempre no nirvana do rock. Pena que depois disso a banda ficou lá, parada, tanto que hoje vive de shows com repertório antigo e relançamentos de discos.
Ah, o amor! Prosseguindo um tópico já exposto pelo sr. Domires (não sei se me darei muito bem na empreita, dadas as dificuldades de resolução objetiva). Mas para que tantos floreios para algo indefinido? Já sabemos que "amor" não significada nada, muita calma, digo, a palavra amor não significada nada. Chega a ser até injusto nomear e reduzir algo tão complexo em quatro simples letras.
Mas espere aí, o amor não é complexo, complexos somos nós tentando mensurar e racionalizar tudo que há envolta. Complexo é nosso orgulho, nossa vaidade, nossos conceitos pré-fabricados. No nosso corpo tudo funciona adequademente, os hormônios são liberados, a atração é visível, os sintomas estão todos expostos: aceleração dos batimentos, raciocínio lento, gagueira, aquele perfume que não sai da sua cabeça. Mas tem sempre aquele demôninho que diz: "você está sendo trouxa, você está sendo trouxa". Não é fácil amar, não é fácil se apaixonar, não é fácil se entregar.
O que estou dizendo? o amor é sublime, é tentador. Mergulhar nos beijos da pessoas amada sem ter hora para acabar, é melhor que sorvete de chocolate com chantily e cereja. Entregues um ao outro, a confiança permite com que qualquer sofrimento seja suprimido com apenas três palavra, quando sinceras, "eu te amo".
Muita atenção: amar não é sufocar, não é viver pelo outro, muito menos para o outro. Quem não tem amor próprio é indigno de partilhar o amor de outrém. Obsessão não é amor, e esse negócio de perseguir (e até matar) porque amava demais, não entra na minha cabeça. Assim como qualquer outro transtorno psicológico relacionado ao assunto.
Mas quem sou eu para críticar o amor dos outros? Ninguém... eu amo, erro e acerto, tanto quanto qualquer outra pessoa. Adoro ouvir aquela música que me lembra alguém em especial, odeio admitir que amo alguém desmedidamente, já fiz besteira porque amei demais, já amei quem não me amava, também não amei quem me amava, todo esse clichê e mais um pouco.
E por que o amor não pode ser clichê? o amor é clichê sim, somos bregas quando amamos, quando amamos de verdade, pelo menos. Então se entregue mais (para quem valha a pena), beije mais, conheçam mais, toda forma de amor é conpreensível desde que essencialmente pura. Não vi forma mais simples de exemplificar tudo o que eu disse do que com o clipe do título.